
MÃOS ABERTAS
(Ao Manuel Andrade)
Ana Vidal
Mãos abertas... li um dia
um poema que as cantava
mãos que nasceram para dar
Tão livres, que me encantava
aquela estranha magia
Mãos errantes, feitas de ar
Mãos abertas... como as mãos
do poeta que as cantou
tão esquivas como um adeus
Mãos que a poeira sujou
mãos moldadas em mil mãos
mãos de um homem que morreu
Mãos que só deram
e não tiveram
nada de seu
Mãos que se ergueram
e acenderam
estrelas no céu
Mãos que tocaram
mas não guardaram
sonhos perdidos
A sós ficaram
e se tornaram
anjos caídos
©Ana Vidal
In: Seda e Aço
Poemas
D&G Edições, Dezembro de 2005
Portugal

3 comentários:
Querido Hay:
Um poema sobre mãos doadoras, incansáveis, construtoras é sempre bem-vindo!
Certa vez, li um verso que me marcou:
"Tuas mãos(...)são estrelas fulgindo nos teus braços"...
Possamos abrir as nossas mãos, construindo sempre o que há de melhor!
Um carinho para você!
Rose.
Caro Hay,
Obrigada por postar um poema meu. Fico curiosa de saber como conheceu o meu livro Seda e Aço...
Hay,
Lindo poema !
Atraves dos versos vamos imaginando os donos dessas mãos...
Mãos sempre ocupadas, sempre se doando,sempre em ação.
Cito alguns versos do poema Mãos Amigas de Graça Ribeiro:
"Mãos que trabalham no bem
Multiplicam afetos...
Mãos que reduzem carências
dão sentido ao amor...
Que no oceano de carências da vida
Nossas mãos possam repartir o pão,
Distribuir afetos e carinhos
Ser uma ponte para o coração..."
bjs
Marilac
Postar um comentário