
AS ÁRVORES
Álvaro Pacheco
Escuta este segredo: o crescimento
é no passado, o presente
é um disfarce
e as árvores que permanecem
quase sempre não têm
a cor normal de árvores.
Fica assim muito claro: como
sobreviver com o vento
não te poupando as crinas dos cavalos
e os pássaros negros te seguindo
vindos de um desenho fúnebre
voando em formação
pelas inscrições no céu
das palavras e gestos
que nos esconderam
as pessoas que amamos?
No passado é que crescem as árvores
sempre no começo do outono
de países distantes.
Teresina, novembro 86.
©Álvaro Pacheco
Geometria dos Ventos
Editora Record - Rio de Janeiro - 1992 - 1ª. Edição

2 comentários:
Você realmente concorda:
o crescimento
é no passado, o presente
é um disfarce?
Fiquei fazendo análises...
Querido Hay,
Ao ler este poema tive a sensação de que segredos eram sussurrados por um coração cujas alegrias ficaram num passado distante.
E que sofre pelas lembranças " de palavras e gestos que nos esconderam as pessoas que amamos? "
Veio ao meu pensamento trechos do
Rubaiyat de Omar Khayyam ( poeta persa... acho que vc já conhece) que li há muito muito tempo :
Velho mundo sob o passo do cavalo branco e negro dos dias e das noites, és o palácio triste onde mil Djenchids sonharam com a glória e mil Bahrams com o amor,
e a cada manhã acordavam chorando.
Tantos carinhos, tantas delícias,
tanta ternura no começo do nosso amor.Mas agora o teu prazer
é dilacerar o meu coração. Por quê?
beijos
com carinho,
Marilac
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