Novembro 05, 2007



DOURO

Filipa Leal

Não sei se prefiro o rio
ou o seu reflexo nas janelas espelhadas.

De um lado
os barcos ancorados,
do outro lado:
barcos - na imediata memória das âncoras.
Deste lado, o porto, ou o cais,
contracenando com a sua própria inexistência
daquele lado.

Existirá aquele rio nos espelhos?
Poderá este subsistir sem as janelas?

Sou dourada como os peixes que te
desabitaram. E, do outro lado, sou
desabitada.

©Filipa Leal
in "Talvez os Lírios Compreendam"
Portugal


3 comentários:

Eternessências disse...

Muito interessante este exercício entre o real e o imaginário! O rio e o seu reflexo... entre eles, a janela como intermédio...
A linguagem poética é um campo fértil de sentidos...por isso tanto encantamento produz!...
Beijo cheio de carinho e poesia!...
Rose.

Ela disse...

Ser desabitada?
Pois... é possível afirmar isto , de tempos em tempos na vida. Mas sempre?
Acho que jamais.

Marilac disse...

Querido Hay,
O Rio Douro tem muitos encantos...

Sempre fui fascinada por reflexos na agua...sejam das belezas a margem de um rio, sejam da lua e do luar( gotinhas de prata) sejam de um por do sol no mar....

Reflexos são belos e como Bem disse a Rose ( Eternessencias) a linguagem poética é fértil de sentidos

A poesia e o modo como ela nos toca sempre funciona como um espelho das nossas próprias emoções.

Linda poesia, Hay!

Bjs

Marilac