
CAMINHEIRO
Ossip Mandelshtam
Sinto é um medo, um medo insuperável
Defronte das alturas misteriosas.
E dizer que me agradam andorinhas
No céu e do campanário o alto voo!
Caminheiro de outrora, cá me iludo
Pensando ouvir à borda do abismo
A pedra a ceder, a bola de neve,
O relógio batendo eternidade.
Se assim fosse! Mas não sou o peregrino
Que vem dos fólios antigos desbotados,
E o que em mim real canta é esta angústia:
Certo – desce uma avalancha das montanhas!
E toda a minha alma está nos sinos,
Só que a música não salva dos abismos!
©Ossip Mandelstam,
In: Guarda Minha Fala para Sempre
Editora: Assírio & Alvim, 1996
Tradução: Filipe Guerra e Nina Guerra

2 comentários:
Lindo...
Querido Hay,
Lindo poema!
Todos temos nossos medos..
Belo contraste o medo dos abimos e o encantamento pelo alto voo das andorinhas..
Abismo sempre me trazem esse pensamento de Nietzsche:
E se tu olhares, durante muito tempo, para um abismo, o abismo também olha para dentro de ti.
bjs
com carinho,
Marilac
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